A obra de Paulo du’Sanctus investiga as relações entre memória, história e identidade, propondo uma reflexão crítica sobre as narrativas que moldaram a formação cultural brasileira. A partir da pintura, da apropriação de objetos cotidianos e da ressignificação de materiais carregados de valor simbólico, o artista revisita episódios, personagens e estruturas que permanecem presentes no imaginário coletivo.
Sua pesquisa parte do entendimento de que a história não é uma construção fixa, mas um território em constante disputa. Livros, enciclopédias, cédulas monetárias e outros artefatos associados à memória institucional são transformados em suporte para questionamentos sobre pertencimento, representação e apagamento histórico.
Entre referências à ancestralidade indígena e africana, à cultura popular e aos processos de formação do Brasil, suas obras revelam tensões entre aquilo que foi registrado e aquilo que permaneceu à margem dos relatos oficiais. Nesse percurso, a arte torna-se um instrumento de investigação e reinterpretação, capaz de revisitar o passado e abrir espaço para novas leituras sobre o presente.
Obras selecionadas
O vocabulário com que o artista revisita a história oficial brasileira. Um recorte de 2022 a 2026 das séries Rachaduras na História, Ressignificar e 6x1.
Rei do Brasil
2025 · Acrílica sobre enciclopédia · 45 × 55 cm · Série Rachaduras na História e a força das raízes
Quem realmente sustenta os pilares da sociedade
2024 · Óleo sobre tela · 100 × 70 cm · Série Rachaduras na História e a força das raízes
A força da raiz I
2023 · Acrílica sobre enciclopédia · 45 × 33 cm · Série Rachaduras na História e a força das raízes
A força da raiz II
2023 · Acrílica sobre enciclopédia · 45 × 33 cm · Série Rachaduras na História e a força das raízes
A força da raiz III
2023 · Acrílica sobre enciclopédia · 45 × 33 cm · Série Rachaduras na História e a força das raízes
Fragmentos da colonialidade
2025 · Acrílica sobre enciclopédia · 55 × 45 cm · Série Rachaduras na História e a força das raízes
Derrubar os azulejos para ver os fatos
2025 · Acrílica sobre papel moeda · Série Rachaduras na História e a força das raízes
Almirante Negro
2022 · Acrílica sobre papel moeda · Série Ressignificar
Tia Ciata
2022 · Acrílica sobre papel moeda · Série Ressignificar
Mãe Menininha do Gantois
2022 · Acrílica sobre papel moeda · Série Ressignificar
Proibido comer a comida do patrão
2022 · Acrílica sobre papel moeda · Série Enquanto eles dormem
Carregador de Açaí
2026 · Acrílica sobre papel moeda · 23 × 31,5 cm · Série 6x1
Aquele que colhe o açaí
2026 · Acrílica sobre papel moeda · 23 × 31,5 cm · Série 6x1
Aquela que carrega o açaí
2026 · Acrílica sobre papel moeda · 23 × 31,5 cm · Série 6x1
A Pátria
2025 · Acrílica sobre enciclopédia · 45 × 55 cm · Série 6x1
Saiba mais sobre as obras disponíveis de Paulo du’Sanctus.
A arte de Paulo du’Sanctus tem como raiz a comunicação. Parte de uma geração que ressignifica a ideia de liberdade, sua obra está baseada em informação, sobretudo nas questões que derivam do sentido atual de decolonialidade na arte contemporânea. Nascido em 1982 e formado em jornalismo, sua linguagem varia da recolocação histórica dos indivíduos para a superação de conflitos raciais, econômicos e identitários.
Consciente de estatísticas sociais, Paulo exprime uma racionalidade sensível na qual defende a presença basilar de Santa Anastácia, Cartola, Lia de Itamaracá, Emanoel Araújo, Castro Alves, Luís Gama, Carolina Maria de Jesus e muitas outras personalidades da antropologia cultural brasileira. Enquanto sua geração afirma a liberdade como se não houvesse um passado pioneiro, ele resgata a ação libertária na arte brasileira.
Inevitável sua aproximação com a obra de Adriana Varejão, especialmente o início do caminho da artista: ambos retomam o pintor Pedro Américo e o Tiradentes esquartejado, pactuando em comum a reconstrução da história do Brasil sem a hegemonia colonialista na pintura. Mas algo lhe difere no seu rastro-caminho anímico de Rio do Pires, Ibiajara, Paramirim e Santa Maria do Ouro, que ocultou a descoberta do ouro no sul da Bahia, no século XVIII.
Paulo du’Sanctus recorre a sua ancestralidade africana e arranca da sua própria pele os azulejos que, uma vez tirados do seu corpo e de todo o seu logus geográfico, revelam a rica identidade de um artista que, ao desvelar a si próprio, denuncia a perversa e contínua recoberta da alma e da cultura de povoados que, como Santa Maria do Ouro, encobriram o fenômeno de uma institucionalização que suprime e apaga a história de gerações no tempo. Não à toa ele já está colecionado pelo Museu do Ipiranga, no mesmo bairro onde estabeleceu o seu ateliê, em São Paulo.
Da sua ação de resistir ao apagamento antropológico e arqueológico da alma brasileira, Paulo du’Sanctus se torna um exemplo de que, ao invés de pautar a arte apenas pelo centro da discussão de rupturas, propor uma comunicação direta de que cada um de nós possui o direito de interagir de maneira ativa contra a passividade e a superficialidade histórica, além do próprio eu, podemos defender o eu, tu, ele, nós, vós e eles pela busca coletiva da tua nobre alma, e a nossa nobre alma, enfrentando juntos os perigos de que a descolonização também nos coloniza quando esquecemos de ressignificar, entre nossos escombros internos, a nossa própria noção de liberdade individual e coletiva.
Currículo
Jundiaí, São Paulo.
Artista visual.
Exposições Individuais
A força da Raiz — Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, 2026
A tua nobre Alma — Galeria OMA, São Paulo, 2025
6x1, Clube de Colecionadores — Galeria OMA, São Paulo, 2025
Feira Nano Art, individual no stand da Galeria Lateral — São Paulo, 2024
Campo Limpo Paulista: Uma história através dos Patrimônios — Paço Municipal de Campo Limpo Paulista, 2024
Enquanto eles dormem — Galeria Lateral, São Paulo, 2023
Patrimônios — Paço Municipal de Campo Limpo Paulista, 2022
Beleza Negra: 50 anos do Clube 28 — Clube 28, Jundiaí, 2011
Beleza Negra: Todas as Fases — Centro Cultural de Campo Limpo Paulista, 2010
Milagres do Povo: uma homenagem a Beleza Negra — Centro Cultural de Campo Limpo Paulista, 2009
Paisagens do Brasil — Centro Cultural de Campo Limpo Paulista, 2008
Exposições Coletivas
100 anos da Pau Brasil — Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo, 2025
Real Fantasia — Espaço Casulo, São Paulo, 2025
Inauguração do Ateliê Casarão — São Paulo, 2024
Para falar de Amor — Antigo Noviciado do Ipiranga, São Paulo, 2024
Ressignificações do Corpo Negro — Ateliê Casarão, São Paulo, 2024
Bienal Europeia de Arte Contemporânea — Helsinki, Finlândia, 2023
Expressões — Centro Cultural dos Correios, Rio de Janeiro, 2023
Feira Nano Art Hub — São Paulo, 2023
Modernismos Contemporâneos e os novos gritos da Independência — Lateral Galeria, São Paulo, 2022
Inauguração da Galeria Coletiva 9 — Porto Alegre, 2021
Coletiva — Pop up Art Gallery, Rio de Janeiro, 2020
Claustro do Forte de São Francisco — Chaves, Portugal, 2019
Escuela de Pintura y Galería Ara Arte — Madri, Espanha, 2019
Galeria Inês Barroso — Lisboa, Portugal, 2019
V Salão de Verão — Galeria Mali Villas Boas, São Paulo, 2010
Mapa Cultural Paulista, fase regional — Araras, 2009
Mapa Cultural Paulista, fase municipal — Campo Limpo Paulista, 2009
Salão da Paisagem da Associação Paulista de Belas Artes — São Paulo, 2007
XXVI Salão Limeirense de Arte Contemporânea, 2007
Prêmios e Distinções
81º Salão Livre da Associação Paulista de Belas Artes — São Paulo, 2023
Menção honrosa
Acervos Institucionais
Museu do Ipiranga — Universidade de São Paulo (USP), São Paulo Mãos Sujas, acrílica sobre enciclopédia, série Rachaduras na História e a força das raízes
Museu da Diversidade Sexual, São Paulo Vera Verão, Erika Hilton e Mário de Andrade, acrílica sobre papel moeda, série Ressignificar
Museu do Claustro do Forte de São Francisco, Chaves, Portugal Uma homenagem à Chaves, óleo sobre tela
Museu Krupp Villa Hügel, Essen, Alemanha Campo Limpo Paulista: Uma história através dos Patrimônios, livro de artista